Origens

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Tudo começou nos idos de 1993. Lúcia D. Torres trabalhava com astrologia médica e transpessoal e era instrutora de yoga, quando participou de um workshop coordenado por May East, “Em busca do resgate da identidade feminina”, em Porto Alegre/ RS. Profundamente tocada pelo que vivenciou, contagiou com o seu entusiasmo amigas e alunas que faziam parte dos seus grupos. Foi o start cósmico. Durante o ano de 1994, foi sonhado cada ponto do trabalho que ela nomeou de “Círculo Feminino Tenda da Lua”, pois as mulheres se encontrariam uma vez por mês nas Luas Novas. Assim começaram os nossos círculos…

Quando foi lançado, este trabalho era totalmente original, pois sua metodologia foi criada de modo a oportunizar às mulheres uma vivência dos diferentes papéis e facetas do feminino a partir de correlações com a mitologia greco-romana e os arquétipos astrológicos. Da vivência experimentada com May, veio o aporte de introduzir as canções transculturais e a forma ritualística de conexão com os quatro portais (que, depois, soube ser um trabalho de Angeles Arrien, “O Caminho Quádruplo”). Porém a estrutura, dinâmica, metodologia, conteúdo … foram o resultado dos sonhos inspirados e das visões de Lúcia.

Em março de 1995, foi feito o primeiro encontro aberto, onde algumas mulheres levaram suas filhas e amigas para conhecer a proposta de trabalho. Deste encontro, surgiu o embrião do “Tenda da Terra”. Os encontros abertos continuaram a ser mantidos, mas, cada vez mais, surgiam pedidos de se viabilizar a entrada de mais pessoas no círculo, o que era difícil , pois ele já tinha um ritmo e uma trajetória… Por isso, em 30 de junho de 1995, Lúcia deu início ao “Círculo Feminino Tenda da Terra” – um grupo de iniciação aos trabalhos do Tenda da Lua.

Assim, completou-se o ciclo inicial: as mulheres que cumpriam sua jornada no Tenda da Terra e vivenciavam o ritual de passagem final, poderiam, se quisessem, continuar sua jornada no Tenda da Lua, que exigia mais comprometimento e afinidade com uma proposta espiritual e de serviço planetário. As mulheres do Tenda da Lua, por sua vez, criaram um ritual de passagem e de acolhimento às novas integrantes egressas do Tenda da Terra e se estabeleceu uma linhagem de madrinhas e afilhadas ao longo de quatro anos. Foi redigida uma carta de princípios alinhadores dos propósitos do grupo que sempre é lida em dois momentos: na comemoração do nosso aniversário quando confirmamos nossa presença por mais um ciclo (ou nos despedimos do grupo), e no encontro de recepção das novas integrantes.

Com o crescimento dos círculos e a necessidade de redimensionar sua estrutura, em 1999, optamos por não ter mais o vínculo “madrinha-afilhada”, mas as mulheres mais velhas continuaram recebendo as mais novas com o mesmo ritual que foi criado pela primeira vez (ritual de acolhida). E durante o ano, promovemos algumas atividades que permitem que todas as mulheres, das várias gerações, possam se encontrar novamente.

Devido à demanda cada vez mais intensa de mulheres interessadas em participar dos círculos, criou-se um curso de formação de facilitadoras que credencia aquelas que sentem afinidade com o oitavo propósito que norteia a nossa ética grupal: “Honrar o serviço planetário de se tornar agente multiplicador; liderando grupos femininos onde os propósitos sejam semelhantes a estes ou trabalhando pela multiplicação de consciências”.

Durante todos estes anos, vivemos muitos momentos importantes de descobertas, de alegrias, de sucessos, de conquistas, de partilha, de comunhão… (celebramos aniversários, formaturas, exposições de artes, bebês nascendo, casamentos, reconciliações com namorados, com filhos, filhas menstruando , mulheres voltando a menstruar … tecemos rituais, xales, sonhos, sacolas de talismãs, rodas de cura). E como a Vida pulsa completa e intensamente em nossas veias, corações e úteros, ao lado das bênçãos tivemos as dores e seus ensinamentos, presentes em todos os momentos difíceis que andam junto a elas: irmãs que foram morar em outros estados, irmãs que desistiram da jornada e, pelos mais diversos motivos, se desligaram do grupo, irmãs que sofreram perdas e rompimentos (de companheiros e de casamentos, de bebês que estavam sendo gestados, de seus sonhos mais íntimos) , que lidaram com longos períodos de doenças e cirurgias (pessoais e familiares), que se surpreenderam, sofreram e se preocuparam muito com as escolhas que os filhos fizeram…

Ao longo deste tempo, teceu-se verdadeiramente um espírito de clã inspirado pelo sagrado que reverenciamos dentro e fora de nós e, mais do que um simples grupo, hoje somos uma irmandade, um círculo, pois são nítidos os laços de amor, amizade e respeito que nos unem e nos protegem. Temos a certeza de que tudo aconteceu como aconteceu (e vem acontecendo ainda) porque estamos respondendo a um imperativo cósmico de mudança individual, social e planetária, porque ressoa no nosso coração este apelo que vem tanto da Terra como do Céu e porque tivemos a coragem de “nos tornarmos as nossas visões”, ou seja, de materializarmos os nossos sonhos de cura por acreditarmos, primeiro e, acima de qualquer coisa, no Amor como a expressão original e última da razão de tudo e de todos existirmos nestes espaços-tempos que nos couberam enquanto humanidade.